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Condenada a 32 anos de reclusão por mandar matar a própria mãe

Após julgamento que durou dois dias no Fórum de Belém, os jurados do 1º Tribunal do Júri da Capital, presidido pelo juiz Edmar Silva Pereira, por maioria dos votos, reconheceram nesta terça-feira, 11, que Aretha Caroline Correa de Salles, 27 anos, planejou a morte da própria mãe.   No mesmo júri, também por maioria dos votos, os jurados reconheceram que o réu Rosivaldo Gemaque Marques, de 25 anos, foi autor das facadas desferidas contra a vítima Maria Odinéia Sales, 52 anos, servidora pública. A pena aplicada à Aretha Salles foi fixada em 32 anos de reclusão. Coube a Rosivaldo Lima a pena de 28 anos de prisão a serem cumpridos em regime inicial fechado.   A decisão do Conselho de Sentença acolheu a tese de acusação em relação aos dois réus, sustentada pelo promotor José Rui Barbosa.  A defesa de Aretha Salles foi promovida pelo advogado Felipe Alves que sustentou que sua cliente teve menor participação no crime, mas a tese não foi acolhida.   A defesa de Rosivaldo Duarte promovida pela advogada Marilda Cantal, declarou da tribuna que recorrerá da decisão. A advogada requereu que o réu fosse beneficiado com redução da pena por ter confessado o crime e por ser menor de 21 anos à época do crime.   Absolvidos por negativa de autoria   Na mesma sessão também foram julgados e no final absolvidos os réus Raphael Souza da Silva, 35 anos, que à época era namorado de Aretha Salles e inicialmente estava sendo acusado de participar do planejamento do crime juntamente com a namorada e outros partícipes. Num primeiro júri o acusado foi condenado e neste foi inocentado pela namorada.   Carlos Alessandro, inicialmente acusado de ser colaborador do crime, colega de escola de Rosivaldo Lima foi acusado de ter desferido as facadas em Maria Odinéia Sales. Neste júri Rosivaldo resolveu inverter a versão inicial e assumiu ter sido o autor do crime. Ele disse que Carlos ficou de "olheiro" na frente da Vila de quitinetes onde a vítima morava.     A decisão dos jurados quanto aos réus Raphael Souza e Carlos Alessandro acolheu a tese de negativa de autoria promovida pelos advogados André Tocantins e Arthemio Leal, além de Américo Leal e Rodrigo Godinho.   O júri   A sessão foi aberta por volta das 08h de segunda-feira, 10, no Fórum Criminal da Capital. Além do casal que namorava à época do crime, também foram julgados Rosivaldo Gemaque Lima, 25 anos e Carlos Alessandro Duarte, 24 anos, ambos acusados de partícipes da ação criminosa. O primeiro confessou neste júri que desferiu as facadas na vítima, enquanto o segundo ficou na entrada da vila observando o movimento.    A primeira testemunha ouvida foi uma adolescente, à época com 13 anos, sobrinha de “Pai Beto”, líder religioso e dono do terreiro que o casal Raphael e Aretha frequentavam e que foram escolhidos como madrinha e padrinho da adolescente por Pai Beto. No dia do crime a adolescente estava passando férias de julho na casa de madrinha (Aretha). Ambas facilitaram a entrada do executor do crime, que usou uma faca de cozinha da própria vítima.   A adolescente, apontada como partícipe, respondeu na Vara Especializada pelo homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima, sendo aplicada medida sócio educativa de internação, similar à prisão, em Centro de Recuperação Feminino para Adolescentes, em regime inicial fechado por três anos, tempo máximo permitido a adolescentes infratores.    Rosivaldo Gemaque Lima, Raphael de Sousa Silva e Carlos Alessandro foram acusados de participação na empreitada criminosa. O primeiro como executor, o segundo como mandante em parceria com a namorada e o terceiro como colaborador da execução.   O motivo do crime, conforme os autos, foi porque a filha objetivava ficar com dinheiro que a mãe estava economizando e pelo fato da vítima não concordar com o relacionamento da filha com Raphael Silva, que não cumpria com sua responsabilidade de pai. A mãe também não gostava das amizades que a filha estava se envolvendo.   Maria Odinéia Sales sofreu dez perfurações de faca pelo corpo em julho de 2012, no interior da própria casa, localizada numa vila de quitinetes na avenida Tavares Bastos, no bairro da Marambaia em Belém. A vítima vivia com sua única filha, à época com 22 anos, e uma criança de cerca de seis meses de vida, que era sustentada pela vítima, já que o casal Aretha e Raphael não trabalhava.   Depoimentos de testemunhas   Uma colega de trabalho de Maria Odinéia contou que cerca de três dias antes do crime a jovem esteve no local de trabalho da mãe para pegar uma agenda, onde Odinéia costumava guardar suas senhas bancárias, mas foi negada pela colega. Outra colega de trabalho que prestou depoimento contou que Maria Odinéia Sales estava preocupada com as amizades da filha.    Em interrogatório prestado no júri a ré declarou que à época do crime não tinha caráter e agora, após cinco anos de encarceramento, mudou e entende o que sua mãe queria lhe transmitir. A ré alegou que nos depoimentos anteriores faltou com a verdade e o namorado não participou do planejamento do crime. Aretha Salles disse que ela e sua afilhada da Umbanda tiveram a ideia de dar “um susto na mãe”, para que vítima mudasse de comportamento com a filha e seus amigos, tendo planejado forjar um assalto na casa delas. Ela alegou que a afilhada contratou o colega da escola onde estudava Escola Justo Chermont, que por sua vez convidou o outro colega Carlos Alessandro.      A ré alegou que a ação fugiu ao seu controle e os partícipes acabaram matando sua mãe e que ela e mais duas crianças que estavam em sua casa foram colocadas numa área da casa e foram forçadas a permanecer no local sob pena de serem também mortas.   Rosivaldo Lima em seu interrogatório, desta vez confessou o crime e disse que teria convidado Carlos Alessandro colega da escola para participar da empreitada criminosa com a promessa de pagar a quantia de R$ 100. Contou que conheceu Raphael e Aretha no terreiro do Pai Beto, tio de sua colega de escola. No primeiro júri o réu acusou Carlos Alessandro de ter esfaqueado a mãe de Aretha e que ele teria ficado na entrada da vila.  
Fonte:
TJ Para
11/09/2018 (00:00)

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